Falta de educação sexual para crianças e adolescentes aumenta risco de abuso e IST´s

Nesse emaranhado de forças, discursos, proposições e políticas, é impossível delimitar um início ou um fim. Escola, enquanto parte de uma sociedade com culturas e valores próprios, e sociedade, enquanto organismo moldado, dentre outros, pela escola, vivem uma complexa dinâmica de retroalimentação. Deste modo, ressaltamos a importância da promoção da Educação Sexual no ambiente escolar para que possamos, de alguma forma, promover mudanças que melhorem os cenários aqui descritos.

Os principais sintomas são um estado de irritabilidade e de um quadro depressivo, além da queda de imunidade. “O Xvideos sexo traz benefícios se for satisfatório para ambos os lados”, como ressalta Carmita Abdo, e para todos esses sintomas há tratamento para a falta de desejo, ejaculação precoce ou dor durante as relações. Em outros casos, essas pessoas podem se sentir pessoalmente desconfortáveis, ou encontram dificuldades em encontrar parceiros. A professora ressalta que “não podemos considerar esses indivíduos como problemáticos”, já que a falta de sexo nesses casos pode não causar quase nenhum mal-estar ou desconforto. E diz que mesmo aqueles que vivem em uniões estáveis podem sofrer com o afastamento das relações sexuais e da sua falta.

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O lugar onde deveria se sentir segura e acolhida, dá espaço para terror psicológico, assédio, abuso, estupro. Muitas crianças se sentem acanhadas de denunciar, visto que dariam mais credibilidade a um adulto. Com a falta de orientação, a sexualidade pode ser fonte de culpa, traumas e angústia porque muitas vezes acaba sendo construída sob outras influências, sejam elas de silêncios, de repressão ou de liberação.

A junção desses dois pilares, escola e comunidade, são de extrema importância para que casos de abusos sejam denunciados e evitados. A conversa, aborda, na verdade, questões relacionadas às doenças sexualmente transmissíveis, gravidez na adolescência e principalmente sobre a questão do íntimo. Por muito tempo, e ainda hoje, por falta de abertura para diálogo, foi considerado um tabu conversar com o público infanto-juvenil sobre sexo e sexualidade, por pensar que essa conversa seria guiada para o caminho do ato em si. Mas a educação sexual vem com o intuito de esclarecer e informar sobre qualquer coisa relacionada ao corpo e sexo de forma natural. Sem a instrução adequada para crianças e adolescentes, eleva-se o risco de abuso sexual, iniciação sexual precoce, gravidez não planejada, ISTs e bullying sexual. Algumas famílias promovem a educação sexual dos mais jovens, propiciando um espaço natural de conversa sobre sexualidade ou escolhem momentos oportunos, conforme a idade da criança ou do adolescente, para falar sobre reprodução, menstruação, namoros,  masturbação, etc.

Além disso, a educação sexual também auxilia na diminuição de comportamentos agressivos contra as mulheres, ao desconstruir estereótipos de gênero e ensinar sobre autoestima, autonomia e prazer. Adultos que possivelmente vão vivenciar a sexualidade de uma forma bastante empobrecida ou negativa. A falta de oportunidade de espaço para esse aprendizado já faz com que muitos jovens cresçam com uma noção muito empobrecida do que é o sexo, do que é a sexualidade. Então, passam a associá-lo a vergonha, a pudor, aquilo que faz escondido porque não se pode falar. É um retrocesso, que causa até um problema na vida a dois, por ignorância e desconhecimento, que gera um empobrecimento da vivência sexual. Estudos já mostram que tratar da educação sexual desde pequeno cria-se um entendimento muito maior, de que é preciso preparo e responsabilidade.

O que a falta de educação sexual pode causar?

Se inicia o pseudomovimento “Escola sem Partido”, que fez barulho por algum tempo com as pautas de combate às falácias da ideologia de gênero e da doutrinação marxista nas escolas. Ainda no ano de 1998, foram publicadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Apesar de o documento também não conter explicitamente a expressão “educação sexual”, ele apresenta, em diversos trechos, assuntos concernentes a ela. Exemplo disso pode ser verificado no art. 3°, em que está disposto que a prática administrativa e pedagógica deve ser coerente com princípios que abrangem, dentre outros. Desse modo, os debates sobre sexualidade são ferramentas que auxiliam o combate à sexualização infantil, promovendo mais segurança e conhecimento para que crianças e adolescentes consigam se proteger e identificar comportamentos predatórios.

A emancipação da mulher e a diminuição das desigualdades de gênero e sexualidade sempre estão em cheque e, em grande medida, isso ocorre por uma completa falta de Educação Sexual da população. D) preparar a criança para assumir uma vida responsável numa sociedade livre, com espírito de compreensão, paz, tolerância, igualdade de sexos e amizade entre todos os povos, grupos étnicos, nacionais e religiosos e pessoas de origem indígena (BRASIL,1990b, n.p). Já o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania observou que, nos 4 primeiros meses de 2023, foram registradas mais de 17,5 mil violações sexuais contra crianças no Disque 100. Esse número, no entanto, pode ser muito maior, uma vez que apenas 7% dos casos são denunciados. Conforme o Ministério da Saúde (2013; 2018), a sexualidade é um conjunto de características humanas capazes de expressar o prazer, os desejos, às necessidades e à vida; é um aspecto que envolve o ato sexual, a orientação sexual, o erotismo, o prazer, a afetividade, o amor e a reprodução.

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No contexto escolar, a temática da sexualidade é discutida mais nos aspectos biológicos; entretanto, a abordagem de outros aspectos, como comportamentais, psicológicos e motivacionais, tem encontrado resitência e dificuldades por profissionais da Educação, segundo Ew et al. (2017). No entanto, apesar desse avanço na direção de maior promoção da educação sexual, as polêmicas envolvendo o assunto foram e são bastante presentes no governo de Jair Messias Bolsonaro. Esse processo auxilia crianças e jovens em formação a aprenderem a ter autonomia nas questões sexuais, chamando-os à responsabilidade de cuidar de seu próprio corpo e suas vontades. Por mais que, recentemente, tenham acontecido discussões ao redor do tema, a Educação Sexual ainda é um assunto censurado e muitas vezes considerado tabu no meio social, sendo totalmente desconhecido pelas pessoas. No Brasil, o assunto tomou bastante repercussão por conta da série Sex Education, lançada pela Netflix, que enfatizou a importância de falar sobre esse tópico, e também, por conta das polêmicas que ocorreram nas Eleições presidenciais de 2018. Apesar da urgência de debater estas questões, em 2017, após pressão de setores conservadores e religiosos, o governo Michel Temer retirou as menções a gênero e sexualidade da BNCC, a Base Nacional Comum Curricular, documento que norteia o que os estudantes de todo o país devem aprender em sala de aula.

Alguns anos mais tarde, já em seu segundo mandato, piadas sobre a sexualidade de Dilma se espalham. A violência se escancara em adesivos estampados em carros que mostram uma montagem de seu rosto junto ao corpo de uma mulher de pernas abertas, colados no local de introdução da mangueira de abastecimento. O documento, no que tange à Educação, baseia-se em pesquisa realizada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) que salienta as altas taxas de homofobia dentro da escola, proveniente não apenas de alunas e alunos, mas também de professoras e professores e pais, mães e responsáveis. Desse modo, ele propõe um plano de ações para promover na escola “valores de respeito à paz e à não discriminação por orientação sexual” (BRASIL, 2004).

Além disso, ela teria a finalidade e a capacidade de promover comportamentos sexuais desviantes, ou seja, aqueles em desconformidade com o padrão cis-heteronormativo. Porém, esse grupo é também formado por outra parcela, aquela composta por algumas lideranças políticas e religiosas, que utiliza a pauta da Educação Sexual e a falácia da ideologia de gênero como uma cortina de fumaça para desviar os olhares do público para longe de outras questões políticas e econômicas de seu interesse. A Fundação Abrinq lançou, em 2024, o mais recente Cenário da Infância e Adolescência no Brasil, uma publicação que revela a realidade das crianças e adolescentes no país. De acordo com os dados, a cada 4 casos de violência sexual no Brasil, 3 envolvem uma criança ou adolescente, e os abusos são cometidos em casa em 68,7% dos casos. Por fim, o mais importante impacto da educação sexual é o combate ao abuso sexual, sobretudo em crianças e adolescentes. Afinal, com a educação sexual, essas pessoas têm mais conhecimento sobre seus corpos e conseguem compreender quais toques são inapropriados, sendo capazes de relatar essas ocorrências para outras pessoas de sua confiança e buscar ajuda.

O assunto consta como tema transversal na Base Nacional Comum Curricular (BNCC)”, limitaram-se a declarar, em e-mail, por meio da assessoria de imprensa. Quando presente desde a primeira relação sexual, ele tende a se manter mais facilmente do que em pessoas que não possuem o hábito de utilizá-lo. O terceiro desafio é o reconhecimento das práticas homoafetivas, que existem e que são muitas vezes permeadas por violências.

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Especialmente quando esta temática traz algum tipo de desconforto, dúvida ou crença disfuncional. Mas de modo natural, geralmente o tema está implícito no trabalho terapêutico porque a sexualidade faz parte da experiência humana. Em um país de dimensão continental, não só zonas mais rurais e no interior, mas também as principais capitais enfrentam questões culturais, políticas e religiosas que interferem no esclarecimento da sexualidade.

O eventual vínculo com o educador sexual, dá para as crianças abertura para que elas possam falar sobre abuso e fazer com que a denúncia seja feita. É sempre importante que você procure melhorar o autoconhecimento referente à sua própria sexualidade, pois ela pode ser reconstruída a partir da emancipação. Ou seja, é direcionada para escolhas próprias, baseadas em informação, autonomia e responsabilidade no ramo dos relacionamentos, do sexo e da reprodução. Nas famílias, há constrangimento e dificuldade em levantar o assunto porque muitos pais não tiveram orientação em suas famílias de origem. Sendo tratada de forma superficial, com rodeios e permeada por julgamento e repressão, oprimindo as manifestações de sexualidade. O repórter Júlio Molica conheceu adolescentes do Instituto Papai, em Recife, uma organização sem fins lucrativos que, desde 1997, desenvolve ações para discutir a masculinidade.


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